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Mãe desabafa sobre dor e culpa de não sentir vontade de abraçar a filha

Atualizado: 17 de Dez de 2020

Em um relato sincero e desesperador, ela contou como foi não conseguir viver os primeiros dias da filha por causa da depressão pós-parto.


Reprodução do instagram
Mãe desabafa sobre dor e culpa de não sentir vontade de abraçar a filha

Assim como outros temas sobre saúde mental, a depressão pós-parto ainda é uma tribulação que ainda carrega muitos tabus, o que causa ainda mais sofrimento às mulheres pelo silêncio de experiências não compartilhadas entre si. Porém a mãe Brittney Harding usou a rede social do Instagram e desabafou em seu perfil, para fazer um relato sincero sobre a mistura de sentimentos, tristeza e culpa por não sentir vontade de abraçar a filha quando pôde em decorrência do transtorno depressivo.


“Quando a minha primeira filha nasceu, ela foi diretamente para a UTI Neonatal. Eu não a vi, segurei ou criei um vínculo com ela nas suas primeiras 48 horas de vida. E quando eu pude finalmente vê-la… Eu não queria segurá-la. Mas eu fiz porque eu sabia que deveria. Semanas se passaram em que eu tive que segurar essa pequena bebê em meus braços, cuidar, me importar e amá-la. Mas não porque eu “queria” ou “sentia” isso. Mas porque eu sabia que eu deveria”, escreveu Brittney.



Com muita sinceridade, ela relatou um sentimento comum entre mulheres que sofrem com depressão pós-parto: O de sentimento impotente de não reconhecer a própria filha. “Eu lembro de olhar para os seus doces olhos e pensar: “quem é você?”. Eu sabia que eu a amava, era sua mãe e que aquele era meu trabalho, mas faltava o sentimento… Ela chorava e imediatamente meu sentimento era de irritação em vez de preocupação. Quando eu a segurava, eu não sentia nada. Eu sentia uma sombra de uma emoção que sabia que deveria sentir, mas não sentia”.


Entre várias confusões emocionais, encontra-se como mãe da própria filha foi um doloroso processo que demandou pequenos e longos passos cautelosos de empatia e muita paciência com a sua própria jornada.


“Levei meses para construir uma relação, conhecer aquela pequena humana que eu criei, me apaixonar por ela e, finalmente, cruzar para o outro lado da depressão pós-parto como uma mãe que ama sua filha ferozmente. Mas isso veio com um preço”, relatou.



“Eu carrego uma nuvem de culpa comigo todos os dias. Há horas, dias e semanas que eu perdi. Há aconchego, mamadas noturnas e outros incontáveis momentos que eu perdi. Há um laço que eu deveria ter construído, mas eu não o fiz. Tiveram muitos momentos que a minha bebê só precisava ser segurada por mim, mas eu não estava lá.


Eu perdi todas essas coisas, porque eu não me importava. Porque eu não conseguia me importar. E por essa razão eu vou sentir culpa pelo resto da minha vida. E deixa eu te contar uma coisa… o peso disso é grande”, desabafou Brittney.


Com a chegada do segundo filho e um pós-parto diferente do primeiro, ela continuou o seu relato, explicando que isso fazia com que ela se sentisse ainda mais culpa pelos momentos que havia perdido com a primeira filha. E com muita sinceridade, ela relatou que não sabe se a culpa um dia vai passar, mas luta desesperadamente, diariamente para que sim.


No final do seu relato, Brittney esclareceu porque havia decidido fazer este texto em que tantas emoções particulares foram expostas para quem a segue: “Compartilho isto porque sei que não estou sozinha. Foi difícil dizer em voz alta. Mas para a mãe que vive esta luta, eu quero que você saiba: eu vejo você, eu sinto você e eu sou você!”.


Relato na integra



Depressão pós-parto ... é uma coisa real ... e não é fácil de falar.

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Quando minha primeira filha nasceu, ela foi direto para a UTIN. Não a vi, não abracei, não fiz nada nas primeiras 48 horas ... E quando finalmente a vi ... não queria abraçá-la ... Fiz porque sabia que devemos...

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Semanas se passaram em que eu seguraria este pequeno bebê em meus braços, cuidaria dela, cuidaria dela e a amei. Mas não porque eu “quisesse” fazer, eu fiz e “senti” porque sabia que deveria.

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Lembro-me de olhar em seus olhos doces e pensar “quem é você?”. Eu sabia que a amava, eu era sua mãe e era meu trabalho, mas faltava o sentimento ...

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Ela chorava e meu sentimento imediato era de irritação ao invés de preocupação, quando eu a segurei ... Eu não senti nada ... Eu senti uma sombra de uma emoção que eu sabia que "deveria" sentir ... mas não senti

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Levei meses para construir um relacionamento, para conhecer a pequena humana que criei, para me apaixonar por ela e, finalmente, aparecer do outro lado da depressão pós-parto como uma mãe que ama seus filhos ferozmente ... Mas teve um preço.

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Carrego uma nuvem de culpa todos os dias. Há horas, dias, até semanas, que perdi. Há aconchegos de bebês, mamadas tarde da noite e incontáveis ​​momentos que eu perdi. Há um vínculo que eu deveria ter construído, mas não fiz. Muitas vezes meu bebê só precisava ser segurado por mim, e eu não estava lá. Senti falta de todas essas coisas ... porque não me importava ... não me importava ... e por essa razão vou me sentir culpado pelo resto da minha vida. E deixe-me dizer a você ... o peso disso, é pesado ...

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Depressão pós-parto. Eu não sabia que tinha. Minha filha não vai se lembrar. Mas sempre irei. E embora minha segunda gravidez e experiência pós-parto tenham sido completamente diferentes, lindas na verdade, elas também me lembram o que eu perdi da primeira vez ...

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Não sei se essa culpa algum dia irá embora. Trabalho duro todos os dias para superá-lo ...

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Compartilho isso porque sei que não estou sozinho. Isso era difícil de dizer em voz alta. Mas para a mamãe que conhece essa luta, eu quero que você saiba - eu te vejo, eu te sinto, EU SOU VOCÊ❤️

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